Saúde intestinal e absorção de nutrientes: quando a disbiose se torna a origem silenciosa de múltiplas doenças
A saúde inicia pelo intestino.
1/5/20263 min read


Saúde intestinal e absorção de nutrientes: quando a disbiose se torna a origem silenciosa de múltiplas doenças
Do ponto de vista médico e funcional, o intestino deixou de ser compreendido apenas como um órgão digestivo. Hoje sabemos que ele atua como um centro regulador sistêmico, influenciando imunidade, metabolismo, equilíbrio hormonal, função neurológica e processos inflamatórios. Quando essa estrutura perde seu equilíbrio — condição conhecida como disbiose intestinal — inicia-se uma cascata de alterações que podem sustentar o desenvolvimento de diversas doenças crônicas.
A disbiose não é uma entidade isolada. Ela é o reflexo de um estilo de vida moderno caracterizado por alimentação ultraprocessada, estresse crônico, uso recorrente de medicamentos, privação de sono e baixa exposição a nutrientes essenciais.
O intestino como órgão metabólico e imunológico.
A mucosa intestinal possui uma área de contato com o meio externo maior do que a pele e os pulmões somados. Aproximadamente 70% do sistema imunológico está associado ao trato gastrointestinal, reforçando sua importância na vigilância imunológica e na modulação inflamatória.
Além disso, o intestino é responsável por: absorção de macro e micronutrientes, metabolização de hormônios, produção de neurotransmissores (como a serotonina), comunicação com o sistema nervoso central (eixo intestino–cérebro).
Quando o ecossistema intestinal está equilibrado, essas funções ocorrem de forma harmônica. Na disbiose, esse equilíbrio se rompe.
O que é disbiose intestinal?
Disbiose intestinal é definida como uma alteração qualitativa e quantitativa da microbiota, com redução de bactérias benéficas e proliferação de microrganismos potencialmente patogênicos. Esse desequilíbrio compromete a integridade da mucosa intestinal e favorece inflamação local e sistêmica.
Entre os principais fatores desencadeantes estão: Dieta pobre em fibras e rica em ultraprocessados, Uso frequente de antibióticos e anti-inflamatórios, Estresse crônico e disfunção do eixo HPA, Alterações hormonais, Sedentarismo.
Disbiose e má absorção de nutrientes.
Um dos impactos mais subestimados da disbiose é a redução da absorção de nutrientes, mesmo quando a ingestão alimentar é aparentemente adequada. A inflamação da mucosa intestinal compromete transportadores, enzimas digestivas e a barreira epitelial.
Como consequência, observam-se deficiências funcionais de: Magnésio, Ferro, Zinco, Vitaminas do complexo B, Vitamina D.
Essas carências contribuem para fadiga crônica, dores musculares, alterações cognitivas, imunidade baixa e desequilíbrio hormonal.
Intestino permeável e inflamação sistêmica.
A disbiose está frequentemente associada ao aumento da permeabilidade intestinal, condição popularmente conhecida como “intestino permeável”. Nessa situação, fragmentos bacterianos e toxinas atravessam a barreira intestinal e ativam o sistema imunológico de forma contínua.
Esse processo sustenta um estado de inflamação crônica de baixo grau, reconhecido como base fisiopatológica de doenças como: Diabetes tipo 2, Obesidade e síndrome metabólica, Doenças autoimunes, Fibromialgia, Depressão e ansiedade, Doenças neurodegenerativas.
Eixo intestino–cérebro e saúde mental
A comunicação bidirecional entre intestino e cérebro é mediada por vias neurais, hormonais e imunológicas. A disbiose altera a produção de neurotransmissores e metabólitos neuroativos, impactando diretamente o humor, o sono e a cognição.
Do ponto de vista clínico, pacientes com disbiose frequentemente apresentam: Ansiedade persistente, Baixa tolerância ao estresse, Dificuldade de concentração, Alterações do sono. Esses sintomas, muitas vezes tratados de forma isolada, têm origem intestinal negligenciada.
Disbiose e metabolismo hormonal
O intestino participa ativamente da metabolização e excreção de hormônios, especialmente os sexuais. Alterações da microbiota interferem na recirculação hormonal, contribuindo para: Dominância estrogênica, Irregularidades do ciclo menstrual, Sintomas intensos de TPM e menopausa, Alterações da função tireoidiana. Assim, a saúde hormonal feminina e masculina depende diretamente da integridade intestinal.
Abordagem clínica: restaurar o equilíbrio intestinal
A correção da disbiose não se limita ao uso de probióticos isolados. Requer uma abordagem integrada que inclua:
Alimentação anti-inflamatória e rica em fibras
Redução de ultraprocessados
Manejo do estresse
Sono adequado
Suplementação direcionada
Acompanhamento profissional capacitado
Cada intervenção deve ser individualizada, respeitando a história clínica e metabólica do paciente.
Conclusão: o intestino como ponto de partida da saúde
Ignorar a saúde intestinal é comprometer todo o sistema. A disbiose não é apenas um desconforto digestivo, mas um fator central na gênese de múltiplas doenças modernas.
Cuidar do intestino é uma estratégia de prevenção, tratamento e promoção de longevidade funcional. Quando restauramos o equilíbrio intestinal, criamos as bases para uma absorção nutricional eficiente, um sistema imunológico resiliente e um organismo metabolicamente saudável.
A saúde começa no intestino e se reflete em todo o corpo.
Dra. Gladys Guerra
